Comprometimento da cortical do seio maxilar – reg.25

Paciente do sexo feminino, 27 anos; sem sintomatologia clínica; Tomografia Computadorizada Cone Beam da reg. posterior de maxila para avaliação para colocação de implantes na reg. do 26.

Exame Tomografia Computadorizada Cone Beam da região no padrão DICOM – 180 cortes axiais com voxel de 200µm x 200µm x 200µm; o estudo transversal abaixo foi obtido com 09 cortes transversais com 0,4mm de espessura e reconstrução 3D – observamos; o estudo oblíquo foi obtido com cortes axial, transversal e coronal de 0,2mm de espessura:

  • Observamos presença de cilindro metálico para sustentação de implante dentário na reg. do elemento 25 (ausente), com comprometimento da cortical do assoalho do seio maxilar E em sua porção anterior com presença de pequeno fragmento ósseo deslocado; ligeiro espessamento da mucosa de revestimento do assoalho deste seio maxilar.

Oblíquo:

Oblíquo

Transversal:

Transversal

Perfuração radicular elemento 46

Paciente do sexo masculino, 51 anos; com sintomatologia clínica e Tomografia Computadorizada Cone Beam para avaliação de fratura e/ou perfuração radicular do 46.

Exame Tomografia Computadorizada Cone Beam de mandíbula posterior lado D no padrão DICOM – 180 cortes axiais com voxel de 200µm x 200µm x 200µm; os estudos abaixo foram obtidos com cortes axial, sagital,  coronal e reconstrução 3D – observamos:

  • Elemento 46 com tratamento endodôntico e imagem de lesão periapical em ambas as raízes; lesão de furca; perfuração da raiz M no conduto V em seu 1/3 médio no lado medial e perfuração do assoalho da câmara pulpar; comprometimento da cortical óssea vestibular.Perfuração radicular elemento 46

Informática na Saúde

informatica-na-saude

Os autores deste texto (Curso de Informática em Saúde UAB/UNIFESP) são os Professores:

  • Claudia Barsottini
  • Paulo Roberto de Lima Lopes
  • Fabiana Ferrari

Introdução

Para compreender a importância e as consequências da Informática em Saúde é preciso, antes, uma reflexão sobre o contexto no qual ela se organizou como uma nova área de conhecimento e disciplina. A proposta não é traçar uma linha cronológica completa de fatos e eventos, mas sim uma perspectiva histórica que possa estimular a reflexão sobre o contexto. A trajetória se inicia por uma análise internacional e, mais recentemente, o foco fica no cenário brasileiro.

Computação na Saúde

Mesmo antes da computação, a saúde sempre foi fortemente organizada na informação. Desde Florence Nightingale (1820-1910), enfermeira britânica que ficou famosa por ser a pioneira no tratamento de feridos de guerra durante a Guerra da Crimeia, iniciada em 1853. Ficou conhecida na história pelo apelido de “a dama da lamparina”, devido ao fato de servir-se desse instrumento para ajudar na iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite. Nightingale lançou as bases da enfermagem profissional com a criação, em 1860, de sua escola de enfermagem no Hospital SaintThomas, em Londres, a primeira escola secular de enfermagem do mundo, agora parte do King’s College de Londres. Foi a pioneira na utilização do Modelo Biomédico na enfermagem, baseando-se na medicina praticada pelos médicos. No entanto, o evento da guerra foi um ponto de partida da importância da informação na saúde. Nightingale estava angustiada por suas experiências com os feridos e começou a analisar as taxas e as causas. Começou a utilizar métodos de representação visual de informações, como o gráfico setorial (habitualmente conhecido como gráfico do tipo “pizza”), criado inicialmente por William Playfair. O gráfico mostrou que a maioria dos soldados bri- tânicos morreu por motivo de doença em vez de por feridas ou por outras causas. Ele também mostrou que a taxa de mortalidade foi maior no primeiro ano da guerra e, perante a Comissão Sanitária, conseguiu melhorar a higiene nos acampamentos e hospitais. Nightingale percebeu que as estatísticas precisavam ser padronizadas e levariam a melhorias na prática médica e cirúrgica. Sua proposta foi a de adquirir um re- gistro padronizado de dados. Nightingale também pediu a adoção de classificação de doenças deWilliam Farr para a tabulação de morbidade hospitalar.

No entanto, a primeira aplicação prática da computação relevante para a área da saúde foi o desenvolvimento de um sistema de processamento de dados baseado em dados codificados em cartões per- furados, criado por Herman Hollerith em 1890. Inicialmente utilizado para a realização do censo dos Estados Unidos daquele ano, o sistema foi, logo a seguir, adotado para solucionar problemas nas áreas de epidemiologia e saúde pública. A técnica dos cartões perfurados foi amadurecida e amplamente utilizada nas décadas de 20 e 30.  No final da década de 40, os cartões perfurados também começaram a ser utilizados como técnicas de armazenamento de sequências de instruções – ou programas.

Com esses avanços teóricos, práticos e tecnológicos na década de 50 nos Estados Unidos, teve início o uso de computadores eletrônicos digitais, inclusive na Medicina e em projetos odontológicos pro- movidos por Robert Ledley no Escritório Nacional de Padrões (National Bureau of Standards).

Na metade desse mesmo período, a força área americana desenvolveu diversos projetos médicos nos seus computadores enquanto encorajava agências civis como a Academia Nacional de Ciências (Na- tional Academy of Sciences) e os Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health) a dar suporte a esse trabalho.

Em 1959, Ledley e Lusted publicaram Fundamentos Racionais do Diagnóstico Médico, um artigo amplamente divulgado pela Science Magazine, que incorporou o computador especialmente no que tangia às atividades de pesquisa, introduzindo técnicas do trabalho com computador para profissionais médicos. Esse artigo continuou influente por décadas, contribuindo especialmente no campo de tomadas de decisões médicas.

Guiado pelas pesquisas de Ledley no final dos anos 50, o uso do computador na Biologia e na Medicina foi levado a cabo principalmente pela Academia Nacional de Ciências e pelo Conselho Nacional de Pesquisa, que fizeram o primeiro grande esforço para que isso acontecesse.

Nessa época, o uso de computadores auxiliava na quantificação de movimentos humanos, algo cientificamente precursor para medir desvios do considerado padrão no design de próteses.

Durante a metade dos anos 60, patrocinados, em grande parte, pelos Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health) dos Estados Unidos, investiu-se no desenvolvimento de sistemas especialistas (expert systems) ou sistemas em expertise, como o MYCIN e o Internist-I.

O MYCIN era um sistema de expertise que usava inteligência artificial para identificar infecções severas causadas por bactérias e para recomendar o uso de antibióticos com dosagem ajustada para o peso corporal do paciente. O próprio nome do programa deriva dos antibióticos que possuem o sufixo “-mycin”.

Em 1965, a Biblioteca Nacional de Medicina, maior biblioteca em medicina do mundo, passou a desenvolver o MEDLINE e o MEDLARS. O MEDLINE é um banco de dados bibliográficos de ciências naturais e informação biomédica que contempla informações bibliográficas de artigos e jornais acadêmicos, os quais discorrem sobre assuntos ligados à Medicina, Enfermagem, Farmácia, Odontologia, Veterinária e ao Cuidado em Saúde. O MEDLARS é um sistema de análise e recuperação da literatura médica; é a versão computadorizada desse sistema.

Nesse mesmo período, apesar da tendência – a dos sistemas voltados para o apoio à decisão médica –, alguns pesquisadores começavam a se preocupar com a computação para a informação hospitalar como um todo. Os médicos Neil Papalardo, Curtis Marble e Robert Greene desenvolveram o MUMPS no Laboratório de Ciência Computacional do Hospital Geral de Massachusetts (MGM – Laboratory of Computer Science at the Massachusetts General Hospital) em Boston, outro centro de computação biomédica que recebeu o importante apoio dos Institutos Nacionais de Saúde.

MUMPS, que inicialmente foi chamado de Massachusetts General Hospital Utility Multi-Programming System, e mais tarde, Multi-User Multi-Programming System ou Sistema Multiprogramável Multiusuário, é uma linguagem de programação de uso geral.

Durante os anos 70 e 80, o MUMPS era a linguagem de programação mais utilizada para apli- cações médicas. A partir de 2004, um descendente desse sistema vem sendo usado no sistema de hospitais dos veteranos de guerra dos Estados Unidos. O departamento que cuida de assuntos de veteranos de guerra nos Estados Unidos (U.S. Department ofVeterans Affairs VA) tem o maior sistema de Informática em Saúde, que inclui o prontuário eletrônico médico conhecido como VistA (Veterans Health Information Systems and Technology Architecture) ou Arquitetura Tecnológica do Sistema de Infor- mação em Saúde dos Veteranos.

Nos Estados Unidos, o primeiro projeto de informatização hospitalar (Hospital Computer Project) foi realizado em 1962 a partir de um contrato firmado entre o Massachusetts General Hospital (MGH) e uma empresa de Cambridge denominada Bold Beranek and Newman (BBN Technologies), tendo sido financiado pelos National Institutes of Health e pelo American Hospital.

Em função desse projeto, diversos aplicativos começaram a ser desenvolvidos no MGH por Octo Barnett – um dos profissionais que mais contribuições fez para a área de Informática em Saúde – e seus associados. Dentre essas contribuições, destacam-se programas de admissão e alta, relatórios de laboratórios e resumos de prescrições.

Também durante os anos 60, Morris Collen, médico que trabalhava para a divisão de pesquisa da Kaiser Permanente, desenvolveu um sistema computadorizado para automatizar aspectos dos checkups na área da saúde. Esse sistema se tornou o alicerce para a grande base de dados médicos que a Kaiser Permanente desenvolveu durante os anos 70 e 80. A Kaiser Permanente é um grande plano de saúde; um grupo médico dos Estados Unidos.

Desde 1993, o (Colégio Americano de Informática Médica) premia com um troféu em nome de Morris Collen aqueles que contribuíram significativamente no campo da informática médica.

Durante os anos 70, um número crescente de empresas começou a comercializar sistemas de prontuário eletrônico e práticas de gerenciamento. Embora exista grande oferta desses produtos nos dias atuais, apenas uma pequena parcela de profissionais da área de saúde utiliza sistemas de prontuário eletrônico.

Na mesma época, projetos similares começaram a ser desenvolvidos em outros hospitais americanos: Latter Day Saints Hospital (LDS) em Salt Lake City, Kaiser Permanente, Universidade de Stanford, etc.

Na Europa, os precursores da área foram Wagner em Heidelberg e Reichertz em Hannover (Alemanha); Grémy em Paris (França);Anderson em Londres (Inglaterra); e Peterson em Estocolmo (Suécia). O professor Peter Reichertz foi um dos primeiros a escrever na década de 70 sobre a importância da informática médica tanto na pesquisa quanto na melhora do currículo médico.

Com o surgimento do microcomputador na década de 70, a informática sofreu um notável pro- cesso de democratização e de popularização. Com eles, surgiram também as linguagens de alto nível – bastante próximas da linguagem coloquial, que, associadas a poderosos sistemas operacionais, provocaram mudança radical no perfil dos usuários de computador

Evidentemente, máquinas menores e mais baratas, e programas cada vez mais fáceis de usar, contribuíram para a grande explosão de mercado da indústria da computação.

O impacto dessa nova tecnologia na prática da Medicina é surpreendente. As técnicas não invasivas de produção de imagem, como a ultrassonografia, a medicina nuclear, a tomografia e a ressonância magnética, alteraram sensivelmente o processo de diagnóstico médico.

Novos equipamentos de monitorização de pacientes, como videolaparoscopia e analisadores automáticos de eletrocardiogramas, fluxos sanguíneos e gasosos, globais e regionais, oferecem informações vitais que auxiliam o médico quer no tratamento eficaz do paciente quer no apoio à pesquisa.

Na prática médica, a informática ajuda na coleta, no registro e na análise de dados; gera conheci- mento sobre o conhecimento; e, dessa forma, diz respeito a todas as áreas da Medicina, da microscópica à macroscópica, e da assistência individual à saúde coletiva

Os sistemas de informação em saúde podem monitorar o processo de assistência à saúde e aumentar a qualidade da assistência ao paciente por auxiliar no processo de diagnóstico ou na prescrição da terapia por permitir a inclusão de lembretes clínicos para o acompanhamento da assistência, de avisos sobre interações de drogas, de alertas sobre tratamentos duvidosos e desvios dos protocolos clínicos. Em todo o mundo, países vêm investindo sistematicamente em infraestrutura, sistemas, serviços, recursos humanos e em modelos de organização para tornar a e-Saúde parte do cotidiano da Saúde. Esse é o caso dos Estados Unidos, da Austrália, do Canadá e do Reino Unido, entre outros. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) explicita a necessidade de esforços nacionais em resoluções muito recentes, que encorajam os países também a adotarem arquiteturas, padrões e mecanismos de interoperabilidade entre sistemas para a Saúde. Além disso, a OMS e a ITU (International Telecommuni- cation Union) oferecem ferramentas para auxiliar países a desenvolverem suas estratégias para o uso de Informática em Saúde ou, simplesmente, e-Saúde.

É impossível pensar em interoperabilidade de sistemas sem pensar em normas para a Informática em Saúde que a viabilizem. Entre essas normas, se encontram os modelos de representação da informação de saúde, os mecanismos para troca de mensagens e objetos, as terminologias e serviços associados, e os critérios para garantir segurança e privacidade da informação.

Nessa época, o uso de computadores auxiliava na quantificação de movimentos humanos, algo cientificamente precursor para medir desvios do considerado padrão no design de próteses.

Durante a metade dos anos 60, patrocinados, em grande parte, pelos Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health) dos Estados Unidos, investiu-se no desenvolvimento de sistemas especialistas (expert systems) ou sistemas em expertise, como o MYCIN e o Internist-I.

O MYCIN era um sistema de expertise que usava inteligência artificial para identificar infecções severas causadas por bactérias e para recomendar o uso de antibióticos com dosagem ajustada para o peso corporal do paciente. O próprio nome do programa deriva dos antibióticos que possuem o sufixo “-mycin”.

Em 1965, a Biblioteca Nacional de Medicina, maior biblioteca em medicina do mundo, passou a desenvolver o MEDLINE e o MEDLARS. O MEDLINE é um banco de dados bibliográficos de ciências naturais e informação biomédica que contempla informações bibliográficas de artigos e jornais acadêmicos, os quais discorrem sobre assuntos ligados à Medicina, Enfermagem, Farmácia, Odontologia, Veterinária e ao Cuidado em Saúde. O MEDLARS é um sistema de análise e recuperação da literatura médica; é a versão computadorizada desse sistema.

Fratura da Maxila Le Fort tipo 1

Paciente do sexo feminino, 33 anos; vítima de acidente automobilístico; compareceu para o exame de controle pós-cirúrgico, com redução e fixação cirúrgica com miniplacas e miniparafusos metálicos na região de 1/3 médio da face.

Exame TC Cone Beam da maxila com stitiching – 180 cortes axiais com voxel de 200µm x 200µm x 200µm; o estudo transversal foi obtido com 25 cortes transversais de 3,0mm de espessura e reconstrução 3D – observamos:

Solução de continuidade entre porção inferior da maxila (osso alveolar) e a pirâmide nasal, compatível com fratura óssea da maxila Le Fort tipo 1.Fratura da maxila Le Fort 1